Pesquisa
inédita mostra benefícios
e dificuldades gerados pela nova legislação
das micro e pequenas empresas
A
pesquisa Impactos da Lei Geral (LG) das Micro
e Pequenas Empresas
nas MPEs no Brasil mostra que
72% dos empresários mineiros são
favoráveis à nova legislação.
O estudo foi realizado com donos de pequenas empresas
da indústria, do comércio e prestação
de serviços, de outubro de 2007 a janeiro
de 2008. Em todo o Brasil foram 3.097 entrevistados,
sendo 126 de Minas Gerais.
O estudo mostra que entre os empresários
mineiros 68% optaram pelo Simples Nacional (capítulo
tributário da LG) a partir de julho de 2007.
Sobre a carga de impostos, 28% dos que aderiram à nova
legislação reclamaram de aumento
de impostos (para 18% houve diminuição;
para 15% ficou igual; 9% não sabem e 30%
não optaram pela LG).
"
Entre os 28% que notaram aumento de impostos é possível
que a Lei Geral não seja a melhor opção
tributária. Nestes casos, os empresários
precisam avaliar a situação com seus
contadores e podem voltar atrás, optar por
sair da Lei Geral, seguindo os prazos definidos
pela Lei.", avalia o consultor de políticas
públicas do Sebrae Minas, Jefferson Ney
Amaral.
A perda de clientes devido à falta de crédito
de ICMS é outro problema levantado pelos
empresários mineiros. "Esta é uma
preocupação nacional. Alguns estados
já resolveram essa questão, mas em
Minas o crédito de ICMS, que era concedido
pelo Simples Minas, ainda não foi reativado".
Apesar das ressalvas, 24% dos entrevistados em
Minas Gerais disseram que a LG foi benéfica
para sua empresa até o momento. Para 44%
a nova lei foi indiferente; 19% sentiram-se prejudicados
e 13% não souberam responder.
Principais resultados em Minas Gerais
80% dos empresários sabiam que a LG foi
aprovada
72% são favoráveis à LG
68% optaram pelo Simples Nacional
28% disseram que a carga tributária aumentou
com a opção pelo Super Simples e
18% disseram que diminuiu
13% registraram aumento dos custos de matérias-primas
de outros estados
24% das empresas disseram terem sido beneficiadas
com a LG; 19% disseram terem sido prejudicadas.
Trechos
da entrevista com o presidente do Sebrae-MG,
Roberto Simões
Quais as novidades apresentadas pela pesquisa?
A pesquisa nos dá um bom conhecimento sobre
o conhecimento e a aplicação da Lei
Geral em Minas Gerais. Vimos que há uma
grande adesão, mas que faltam ajustes para
adequar a lei às necessidades das empresas.
Estamos trabalhando, em parceria com as entidades
de classe, a recuperação dos benefícios
que as empresas mineiras tinham, como o crédito
de ICMS.
Já foram dadas compensações
para setores que tiveram aumento na carga tributária
com a entrada em vigor do Super Simples?
O setor de cachaças artesanais perdeu alguns
benefícios que eram dados pelo Simples Minas.
O Sebrae e outras entidades empresariais buscam
formas de dar compensação a estes
setores, que registraram aumento da alíquota
de impostos com o Super Simples. Já foi
feito um decreto do governo do Estado nesse sentido.
No setor de serviços são necessárias
definições para cada segmento.
O Sebrae tem alguma ação para contribuir
com a regulamentação municipal da
Lei Geral?
Para ter acesso aos benefícios que a lei
oferece, como as compras governamentais, os municípios
precisam fazer uma regulamentação
municipal. O Sebrae Minas está investindo
em ações de consultoria para ajudar
120 municípios mineiros a regulamentarem
a Lei geral das Micro e Pequenas empresas.
Quantos municípios já fizeram a regulamentação?
Em Minas Gerais apenas quatro municípios
regulamentaram a Lei Geral: Itabira, Araxá,
Itaúna e Muriaé (para segmentos determinados).
Outros estão com trabalhos em andamento
para fazer a regulamentação.
Como a Lei Geral beneficia as micro e pequenas
empresas no caso das compras governamentais?
O governo, nos níveis municipal, estadual
e federal, faz compras no valor de 250 bilhões
de reais ao ano (em todo o Brasil). Com a Lei Geral,
as micro e pequenas empresas têm acesso facilitado
a esse mercado.
Os informais são beneficiados
pela Lei Geral?
A Lei Geral contribui para a formalização
das empresas. Ela simplificou muitos processos
e incluiu benefícios para as micro e pequenas
empresas, como o maior acesso à tecnologia,
crédito mais transparente e a preferência
nas compras governamentais até R$ 80 mil.
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