| Moradores
impedem descarregamento de caminhões
e exigem presença do prefeito
Thuru David
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Thuru Davi / Cláudio Ponciano

E continua do mesmo jeito: Lixo
Hospitalar jogado a céu aberto em Ubá
Os
moradores do Distrito de Ligação,
zona rural de Ubá, onde está localizado
o Lixão, realizaram um protesto pacífico
na manhã de segunda-feira (18), quando se
colocaram à frente do portão de acesso
ao depósito, com faixas e cartazes, impedindo
que os caminhões que recolhem o lixo da
cidade descarregassem o material. O protesto só foi
suspenso com a chegada do prefeito Dirceu dos Santos
Ribeiro, acompanhado de dois secretários
municipais.
Como não existe ainda uma associação de moradores, a manifestação
foi organizada pelas pastorais religiosas da localidade, tendo como líderes
os moradores Airton Rodrigues Costa e Regiane Aparecida de Almeida.
Aírton foi o primeiro a chegar ao local, às 6h13. “Estamos
dispostos a ficar aqui e impedir que qualquer caminhão ou outro veículo
entre no Lixão para descarregar, até que o prefeito venha falar
conosco e sinalizar com alguma medida concreta para solucionar os nossos problemas”,
disse Airton. A situação dos moradores vem sendo denunciada há algum
tempo. Eles já até acionaram diversos órgãos ambientais,
inclusive o Ministério Público, mas nada de concreto foi feito
até hoje.
As principais reclamações são em relação
ao lixo acumulado à beira da estrada e a densa fumaça que emana
do local. “O lixo deveria ir para a plataforma que fica no alto do morro,
mas a máquina não tem aterrado o lixo que chega, o que dificulta
para os caminhões virarem lá em cima. Além disto, se chover
eles não têm como subir e aí descarregam tudo aqui mesmo,
na parte baixa, praticamente às margens da estrada”, disse Regiane
Almeida, prosseguindo: “Pior ainda é quando chove, pois o lixo
com o chorume (líquido do lixo) desce para a estrada, dá muito
mau cheiro e atrai as moscas. Quando não chove, alguns catadores costumam
colocar fogo no lixo para retirar cobre e alumínio, o que produz uma
densa fumaça, que demora mais de uma semana para se dissipar, causando
problemas de saúde nas crianças e até nos adultos”.
Os manifestantes levaram inclusive crianças e recém-nascidos
para o local, e a intenção era de permanecer lá até mesmo
em esquema de revezamento 24 horas para impedir que fosse descarregado qualquer
caminhão de lixo, caso o prefeito não fosse pessoalmente falar
com eles. Como se tivessem sido avisados, porém, nenhum caminhão
de lixo chegou ao local. Entretanto, os moradores impediram a subida ao Lixão
de dois caminhões que transportavam caçambas particulares recolhidas
com material nas ruas e um Fiat Fiorino de uma empresa responsável pela
coleta de lixo hospitalar. “Este material podemos descarregar pros lados
da Ponte Preta”, disse o motorista de um dos caminhões. Já o
veículo do lixo hospitalar estacionou no local e lá permaneceu,
até que os manifestantes liberassem sua subida. “Conversamos com
os motoristas que entenderam a nossa situação”, disse Aírton
Almeida.
O horário previsto para a chegada dos caminhões era 9h, mas por
volta de 8h30, após um carro da Prefeitura ter passado pelo local, chegou
uma viatura policial, com dois ocupantes.
No local, após constatarem a natureza pacífica da ação
dos manifestantes, o oficial conversou com eles e os orientou sobre que caminhos
deveriam seguir, sem, no entanto, conseguir demovê-los da intenção
de manter o embargo ao descarregamento do lixo, caso o prefeito não
fosse ouvi-los. Às 9h20 o prefeito Dirceu dos Santos Ribeiro compareceu
ao local acompanhado da secretária de Educação, Rosa Araújo,
e logo depois do secretário de Serviços Urbanos, João
Gomes.
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Thuru David

Prefeito de Ubá se compromete a resolver o problema
do lixão junto aos moradores da região, enquanto
que a Fiorino da empresa CONSITA resposnsável pela
coleta
de lixo
hospitalar,
espera
a manifestação se disperçar para poder jogar o
lixo a céu aberto.
No diálogo com os moradores o prefeito agradeceu pela forma pacífica
como se manifestavam e se comprometeu a buscar soluções imediatas
para o problema.
Segundo ele, já fora encomendado de uma empresa especializada a elaboração
do edital de licitação para dar início à construção
do Aterro Sanitário e que esperava receber o edital na quarta-feira
(20). “Não estamos parados em relação ao problema.
Tanto assim que só estamos esperando o edital ficar pronto para promovermos
a licitação e iniciarmos as obras, quando faremos o Aterro Sanitário
juntamente com a Usina de Triagem do Lixo”, disse Dirceu aos manifestantes,
acrescentando que já iniciou entendimentos com os proprietários
de uma área ao lado para instalação do Aterro e da Usina. “Já nos
reunimos duas vezes com eles, que receberão em troca lotes na região
do Brejaúba”, afiançou.
Como solução imediata, Dirceu disse que no dia seguinte (terça-feira,
19) seria iniciada a recuperação da estrada e em seguida a limpeza
da parte baixa do aterro, onde é depositado o lixo pelos caminhões.
Foi uma reunião marcada pelo prefeito com a comunidade. “Peço
a vocês 15 dias de prazo e aí terei informações
concretas sobre a licitação para construção do
Aterro e das demais medidas que poderei tomar”, disse Dirceu dos Santos
Ribeiro. A reunião foi marcada para o dia 7 de março, no Salão
Comunitário de Ligação.
“
Vamos dar mais este voto de confiança ao prefeito porque ele veio aqui
falar pessoalmente conosco, o que nunca tinha acontecido. Se por um motivo
ou outro não acontecer a reunião ou se nada nos for apresentado
de concreto voltaremos a embargar o descarregamento do lixo”, disse Regiane,
que pediu ao prefeito que assinasse um comunicado sobre a realização
da reunião, como garantia. “Se não for assim, os moradores
não vão acreditar em mim”, comentou Dirceu.
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