Mais um grito de independência

 

Estamos vivendo cada vez mais apreensivos, rodeados por tanta violência que às vezes sentimos um total desânimo e descrença em relação ao nosso futuro. Não importa o dia, a hora e o local, temos a nítida sensação de estarmos totalmente desprotegidos.
O que fazer para mudar tal situação?
A resposta para essa indagação parece não existir e isso nos incomoda profundamente. Porém, se ainda não temos mecanismos capazes de exterminar definitivamente a violência, podemos pelo menos mudar nossas atitudes a fim de diminuí-la.
Ao pararmos para observar a maneira que lidamos com os problemas diários descobriremos o quanto somos impacientes, implacáveis e, em muitos momentos, chegamos a ser agressivos.
O nó no trânsito, uma tarefa que não saiu como desejávamos, uma sacola que rasgou, um ônibus que perdemos, alguém que nos fez esperar, enfim, qualquer contrariedade serve de motivo para nos tirar do sério e a um passo de cometer uma violência, seja verbal ou física.
Agredimos um, que agride a outro, e assim sucessivamente. Processo o qual poderíamos nomear como “efeito dominó” que só termina quando a última peça cai, ou seja, quando alguém mais sensato afasta-se e interrompe este círculo de agressões.
Precisamos nos libertar desses sentimentos negativos que só fazem mal e tornam o problema ainda maior. No trânsito, por exemplo, de que vai adiantar ficar “bufando”, gritando, xingando, o máximo que vamos conseguir será contagiar os outros com o nosso mal-humor e irritabilidade.
É um engano pensar que só os criminosos são violentos e que somos vítimas passivas e inocentes. Contribuímos diariamente para aumentar os índices de violência. Se alguém nos agride verbalmente queremos logo responder à altura e caso não seja possível, por estarmos numa condição inferior, descontamos toda a nossa raiva em familiares, vizinhos, funcionários...
Orientamos nossos filhos para que não levem desaforo para casa, deixamos de lado os argumentos e partimos para uma discussão mais fervorosa, e apropriamo-nos facilmente dos ditados populares: “eu dou um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair”, “olho por olho, dente por dente”. Então, como podemos reclamar da violência que impera se somos “peças” ativas dentro deste jogo?
É necessário mudar atitudes, rever conceitos. Ao invés de sermos meros reprodutores de agressões, passemos a apaziguadores. Ao gritarmos por independência, que seja com intuito de libertarmo-nos de idéias conservadoras e equivocadas e, acima de tudo, de arrebentarmos as correntes que nos prendem à nossa própria arrogância.

Até a próxima!


Adriana Lopes de Oliveira (Graduada em Pedagogia e Pós-graduanda em Língua Portuguesa)