A GUERRA DA DENGUE

No início do ano , comentando o perigo da febre amarela, lembramos neste espaço que a cidade do Rio de Janeiro teve 22 000 casos de dengue em 2007, com 20 mortes, o dobro de 2006. Hoje chegam a falar em 25 000 casos com 30 mortes. Como o transmissor das duas doenças é o mesmo, o mosquito Aedes aegypti, e a febre amarela tem maior letalidade, se ela chegasse aos grandes centros urbanos seria uma tragédia.Chegando ao fim o primeiro trimestre de 2008, vemos uma grande epidemia de dengue no Rio, com números de doentes maior que todo o ano passado. E com características piores que anteriormente, pois tem atacado maior número de crianças. Nestas, os sintomas não são tão definidos como nos adultos, e o diagnóstico é mais demorado. Além disso, o mosquito tem picado também à noite, e tem se reproduzido em águas turvas, havendo previsão do aparecimento do vírus tipo 4, o único que ainda não temos. Este vírus já existe nas Antilhas e Venezuela, portas de entrada para doenças no Brasil. Quem tem a doença adquire imunidade para aquele vírus causador, podendo ser infectado pelos demais. A re-infecção leva a uma resposta exagerada do organismo, podendo ocasionar a forma hemorrágica, mais grave.

O diagnóstico preciso da dengue é feito por reação sorológica, realizada em Belo Horizonte, com retirada do material após no mínimo uma semana do início da doença. O hemograma, realizado no primeiro atendimento, fornece indícios, com baixa das plaquetas e leucócitos. Nos primeiros doentes faz-se a sorologia, mas confirmada a epidemia, bastam os sintomas e o hemogama. Desta vez no Rio de Janeiro, nas crianças, o próprio hemograma tem se mostrado atípico, sendo outra dificuldade no diagnóstico.

Temos visto na TV as aberrações de sempre: o ministro culpa o prefeito, que culpa o governador e o ministro. Uma cobertura no bairro do Jardim Botânico com milhares de latinhas de cerveja vazias. Dezenas de camionetes doadas à prefeitura em 2002, apodrecendo em um descampado, sem nunca terem sido usadas. Doentes sofrendo em filas enormes. O Exército sem saber se ajuda ou não. Em entrevista na TV o ministro da Defesa, Nelson Jobim,esqueceu duas vezes o nome do ministério que tinha de lhe pedir ajuda,o da Saúde. É dose...!!!.

Cefaléia intensa, febre alta, fortes dores pelo corpo , prostração, vômitos, manchas, pequenas hemorragias , iniciam-se em média seis dias após o contato com o Aedes, e a transmissão pode ocorrer um dia antes dos sintomas a seis dias após. Estes sintomas podem durar de cinco a sete dias, mas a fadiga continua. A cefaléia e a febre são resistentes a terapia comum, e quando o paciente chega ao Pronto Socorro já usou várias doses de paracetamol ou dipirona, estando próximo do nível de intoxicação, necessitando de usar medicação venosa. O AAS, por precipitar hemorragias, é contra indicado.

A presença da dengue no Rio de Janeiro traz preocupação à nossa região, devido a poximidade com Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata.

Especialistas recomendam o atendimento imediato ao doente, mas nas entrevistas eles se queixam de sofrerem na fila de quatro a seis horas. Em artigo na Folha de São Paulo ,o renomado jornalista Gilberto Dimenstein comentou que os médicos evitavam trabalha
r nas Urgências/Emergências devido aos baixos salários, stresses e confusões. O artigo foi escrito em 1998, e de lá para cá só piorou este atendimento.

Cerca de 100 milhões de pessoas contraem a doença por ano em todo o mundo. Pode ser confundida com gripe, rubéola, sarampo. A forma hemorrágica inicia-se como a forma clássica e no terceiro ou quarto dia o paciente começa a piorar, com queda de pressão, hemorragias, queda brusca da temperatura, e pode lembrar leptospirose, febre amarela, hepatites graves, etc...Até o momento não existe vacina para a dengue, e deve~se exterminar o mosquito, que na grande maioria dos casos é criado nos quintais ou dentro das residências, em pneus, vasos de planta, caixas-dágua, e outros recipientes que acumulam água. As epidemias ocorrem comumente após o período chuvoso do verão, nos países tropicais ou sub- tropicais, não existindo em altitudes acima de 1200m.