ANGINA DO PEITO
(ANGOR PECTORIS)


É comum, na clínica diária, recebermos inúmeros clientes com dor no peito. Na minha opinião, o cardiologista já deve se posicionar, e tem conhecimentos para isto, se a queixa tem origem cardíaca, ou não.

De um contato inicial com o paciente, acreditamos que em 60% dos casos poderemos considerar a dor como não cardíaca; em 20%, como cardíaca (coronariana) e em 20% dos casos pairar uma dúvida que apenas exames mais à frente definirão.

A angina do peito é a dor que aparece geralmente na região do precórdio (retro esternal), ou seja, no meio do peito, irradiando-se para um ou ambos os braços, ou o dorso, ou para a mandíbula. Ela deve-se à obstrução da artéria coronária, aquela que nutre o músculo cardíaco, de uma maneira parcial. No caso de uma obstrução total, há a morte das células à frente, e ocorre um quadro mais grave, que é o infarto do miocárdio.

È comum à dor vir com um esforço físico, por exemplo, a pessoa subindo uma ladeira ou tendo relação sexual. Nestas situações o coração trabalha mais, e como há a obstrução da artéria, o sangue passa em menor quantidade, e chega menos oxigênio.

Aí vem a dor. Se a coronária está obstruída em grau mais avançado, a angina pode ocorrer mesmo em repouso, comumente chamada de angina instável.

É interessante lembrar que a angina é uma manifestação clinica, não dá no ECG. Às vezes o cliente fala que seu médico disse que deu angina no traçado.

Se houver alteração no ECG, digamos uma isquemia coronária, é sinal que o infarto pode acontecer a qualquer momento, mas não é a angina que deu no ECG e sim a isquemia. A angina a pessoa sente.

Como falamos no início, não é difícil diagnosticar a angina, com uma breve conversa com o paciente. Às vezes, só dele mostrar com as mãos como foi à dor, já fazemos nossa conclusão.

No entanto, como tudo em medicina, há casos difíceis de interpretar, mesmo com exames mais sofisticados. Problemas de coluna, esôfago, pulmão ou mesmo de origem emocional podem confundir com angina.

O importante nos casos de angina é que ainda não veio o infarto, já que este lesa menos ou mais o músculo cardíaco. E assim permite-se um tratamento mais agressivo para evitar conseqüências piores.

O funcionamento do nosso Sistema Único de Saúde (SUS) penaliza a parte da população com menos recurso, que não tem um plano de saúde, ou não pode pagar.
Isto porque para fazer uma cinecoronariografia, que diagnóstica com precisão à lesão coronariana, às vezes demora meses. E após sua realização, se for preciso uma cirurgia cardíaca, o drama é maior. Antes da cine,faz-se o teste de esforço(ergométrico) e/ou a cintilografia miocárdica.Um novo exame,a angiotomografia coronária,está chegando para ser a cine “sem catéter”,mas custa de 1,5 a 2 mil reais.

A Santa Casa de Juiz de Fora, que atende a toda Zona da Mata, publicou uma nota nos jornais recentemente denunciando a falta de pagamento de exames e cirurgias cardíacas, já há oito meses. Nem o hospital, nem os médicos e nem os fornecedores estavam recebendo pelos seus serviços (R$2.258.794,00, no total), o que deve significar mais dificuldades de acesso aos procedimentos cardiológicos de alta complexidade. (Em tempo: o jornal Folha da Mata, de Viçosa, de 16-11-07, publica nota dos dois hospitais locais, informando que se vêem obrigados a reduzir o número de leitos destinados aos pacientes do SUS por tempo indeterminado, em vista do descaso das autoridades competentes). Serão 32 leitos a menos em cada Hospital.

O tratamento clínico da angina faz-se com dilatadores coronarianos, AAS, beta bloqueadores, hipolipemiantes; já o tratamento invasivo pode ser uma angioplastia, que dilata o vaso obstruído, com colocação do stent para manter a artéria aberta, ou uma cirurgia de revascularização do miocárdio (com veia safena ou artéria mamária).

 

Dr.Mauricio Valadão Reimão de Melo, médico cardiologista, do quadro efetivo do ministério da saude, ex-presidente da sociedade médica de ubá, vereador, Presidente da Câmara Municipal.