AORTA
A
artéria aorta(Ao) é a maior
e mais importante do corpo humano. Transporta
o sangue arterial, rico em oxigênio, do
coração para todos os pontos
do organismo .No seu trajeto vai
dando origem a outras artérias importantes,de
calibres menores, até chegar aos microscópicos
capilares, que entregam o oxigênio e demais
nutrientes às células. Após,
já “impuro”, o sangue faz
o caminho inverso, sendo captado por pequenas
veias, em sentido a outras maiores, e drenando
para os pulmões e o coração. A
aorta sai do ventrículo esquerdo,para
cima;faz uma curva para a esquerda e começa
a descer, passando pelo tórax e abdome.
Assim, existe a Ao ascendente, o arco aórtico,
a Ao descendente, a Ao torácica e a abdominal.
Se isolarmos a Ao, ela tem a aparência
de um guarda chuva ou um cajado. O arco aórtico é também
denominado “crossa” da aorta. Alguns
escrevem “croça”, mas com
ss vem do francês,e ç do latim.
Como os grandes médicos brasileiros do
séc. XIX se especializaram na França(vide
Oswaldo Cruz, que “salvou” o país
da febre amarela,varíola, peste bubônica,
e Francisco de Paula Cândido,nascido e
quem deu nome à nossa vizinha cidade,
médico de D. Pedro II ), a tendência é escrever
crossa. Em
traumas perfurantes(por tiro, facada),
ou contusos(acidentes), a ruptura da Ao é causa
importante de morte. As
doenças mais comuns que acometem a
Ao, e graves pela sua própria natureza,
são o aneurisma e a dissecção. A
parede da aorta é composta por camadas.A
externa,chamada de adventícia,constituída
de matéria fibrosa; no meio,a elástica,
formada de fibras elásticas e musculares
lisas,e internamente,em contato com o sangue,
a íntima.As fibras elásticas permitem
a Ao se dilatar ao receber o sangue na ejeção
ventricular, e aos poucos voltar ao normal mantendo
ainda uma pressão para o sangue continuar
seu caminho(são as pressões sistólica
e diastólica, ou máxima e mínima,
da pessoa). Com
o desgaste normal da idade, acrescido de
hipertensão arterial, tabagismo e dislipidemia(fatores
que causam e aceleram a aterosclerose), a artéria
torna-se menos elástica,endurecida, e
sujeita a lesões em sua parede. O aneurisma
ocorre também em outras artérias,às
vezes até de nascença,como na artéria
cerebral. Há uma dilatação
em determinado local da aorta, geralmente no
abdome, que vai aumentando gradualmente. Como
numa criança que faz bola com goma de
mascar, à medida que cresce fica mais
fina até estourar. No paciente ocorre
o mesmo. Geralmente ele nada sente, costuma ser
um achado do ultra som abdominal.A partir de
uma dilatação de 5 cm, a cirurgia é indicada,
com a colocação de um tubo plástico
de dacron. É um drama na família.
O paciente é idoso, metade dos filhos
quer e a outra metade não quer a operação.
Todos conhecem casos que não houve cirurgia
e nada aconteceu em 20 anos; ou que o aneurisma
arrebentou e o paciente morreu em minutos. Ou
que houve a cirurgia e o paciente está bem
há 20 anos;ou que o paciente, pessoa alegre,
assintomática, querida por todos, optou
pela cirurgia e morreu na mesa cirúrgica. A
dissecção aórtica ocorre
mais no início da artéria, próximo
ao coração, nas Aos ascendente
e descendente.É um quadro agudo e dramático.
Forte dor no peito e palidez fazem pensar inicialmente
em infarto do miocárdio. Ecocardiograma
e tomografia computadorizada levam ao diagnóstico.
Há um descolamento das camadas elástica
e íntima, por onde o sangue passa a circular
também. As conseqüências são
diversas, principalmente porque nesta região
emergem artérias muito importantes, como
coronárias, carótidas, subclávias,
etc. O tratamento comumente é cirúrgico,
e de risco. Tanto nos aneurismas como nas dissecções
têm sido feitas intervenções
via artéria femoral, como nas angioplastias
coronarianas, levando até a lesão
endo próteses, que são fixadas
no local.É um passo importante para tratar
estas graves doenças da aorta. Diz
o povo que desgraça pouca é bobagem;
conhecemos um paciente, de poucos recursos, que
foi operado relativamente jovem(48 a.), de dissecção,
com sucesso,em Belo Horizonte. Seus dois problemas
atuais: o cirurgião solicitou uma angiotomografia
torácica para controle,que é um
exame caro e só tem nos grandes centros.
A assistente social conseguiu falar com ele e
pediu para trocar por uma tomografia ou ressonância:
ela diz que só não apanhou porque
estava a 300 Km. de distância; outro problema é com
a perícia médica, que quer fazê-lo
trabalhar urgentemente.
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