ATENÇÃO BÁSICA
A SAUDE (ABS)
(E O SUS)
Em
setembro de 1978, a ONU (Organização das Nações
Unidas) e a UNICEF (Fundo das Nações Unidas de Proteção à Criança),
realizaram em Alma-Ata, capital do Cazaquistão, uma Conferência
Internacional de Saúde,em que foram lançados os fundamentos
de um novo modelo assistencial, baseado na Atenção Básica
(ou Primária) à Saúde. A AB caracteriza-se por um conjunto
de ações ,no âmbito individual e coletivo, que abrangem
a proteção e a promoção da saúde,a prevenção
,recuperação e reabilitação de doenças
e agravos mais freqüentes e a manutenção da saúde.Tem
como estratégias em todo território nacional,a eliminação
da hanseníase,o controle da tuberculose ,da hipertensão,do
diabetes,a eliminação da desnutrição infantil,a
saúde da criança,da mulher,do idoso e a saúde bucal.Outras áreas
podem ser definidas regionalmente.
No seu funcionamento há uma hierarquização do sistema,
em que a ABS é a porta de entrada deste sistema, onde o médico
vai decidir da necessidade ou não de encaminhar o paciente para os níveis
secundários (atendimento ambulatorial especializado e atendimento hospitalar
de pequeno porte) ou terciário (o atendimento de maior complexidade).
Surge aí o sistema de referência (para enviar o doente) e contra
referência (para recebê-lo de volta). A ABS pode resolver até 80%
dos casos, desafogando o pronto socorro e o hospital.
A Atenção Básica no momento é principalmente voltada
para o Programa (ou Estratégia) Saúde da Família (PSF),
implantado em 1994, e formado por equipes. Cada equipe é constituída
por um (a) médico (a), um (a) enfermeiro (a), auxiliar de enfermagem
e quatro a seis agentes comunitários; atende uma área definida,
cadastrada, de cerca de mil famílias (ou três mil e quinhentos
a quatro mil moradores). Com atividade de quarenta horas semanais. Os agentes
são treinados para procurarem os moradores, encaminharem ao Posto (ou
UBS-Unidade Básica de Saúde) para consulta ou mesmo levar o médico
ao paciente. Há orientações, palestras, caminhadas, prevenção
do câncer ginecológico, vacinações, etc... É importante
conscientizar a todos (sobretudo os profissionais e os gestores), que o atendimento
não é como nos postos tradicionais; esta conscientização
não é nada fácil.
Este é um novo modelo para a assistência à população,
e tem de ser entendido desta forma.
Na prática, muitas coisas não funcionam: os médicos deveriam
ser escolhidos por concurso, ter planos de carreira, cursos de capacitação,
remuneração compatível com a carga horária, e o
cumprimento do horário integral. Como os municípios são
responsáveis por cerca de 80% dos recursos do PSF, muitas vezes preferem
pagar menos e não exigir dos profissionais. Em muitos locais, principalmente
em grandes centros, existem muitas equipes sem médicos, o que distorce
completamente o programa. Em abril/07 o Ministério da Saúde,certamente
realizando uma perigosa operação “tapa-buracos”,confirmou
a validade da Portaria GM 648/2006,que permite a solicitação
de exames e prescrição de medicamentos pela enfermagem. A adesão
de odontólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos
e da medicina alternativa ao programa, depende das necessidades e possibilidades
locais. De uma forma ou de outra, o PSF atende já quase 100 milhões
de brasileiros.
Em Ubá, a Seção de Atenção Básica
foi criada em 24/05/07 pela Lei Complementar 95 ,mas já funcionavam
19 equipes na cidade anteriormente.
A Constituição Brasileira de 1988, influenciada pela Conferência
Internacional de Alma-Ata e pela VIII Conferência Nacional de Saúde,
esta realizada em março de 1986 em Brasília, determinou as diretrizes
que culminaram com a criação do SUS (Sistema Único de
Saúde), em 1990.O SUS trazia princípios como Equidade,Universalidade,
Integralidade,Gratuidade .Atualmente o gigantismo, má gestão
(entregue aos municípios), e falta de recursos do SUS, refletem-se no
PSF, que depende deste sistema. Em abril de 2007 os prefeitos realizaram uma “Marcha
a Brasília”, solicitando ao Ministro da Saúde,José Gomes
Temporão, mais recursos. Em julho de 2007 a revista Radis, da FioCruz
e Escola Nacional de Saúde Pública, fez uma reportagem denominada “A
dívida com a Atenção Básica”, ouvindo vários
especialistas, e em última análise, a maioria dos entrevistados
citou a carência de recursos. E em setembro de 2007 o jornal “O
GLOBO” publicou reportagem cuja manchete era “Saúde em crise
faz Temporão garimpar recursos no governo”. O Ministro revelou
que há 90 mil pacientes com câncer sem radioterapia, 13 milhões
de hipertensos e 4,5 milhões de diabéticos sem tratamento adequado,
e 25% dos doentes com hanseníase, malária e tuberculose com problemas
de atendimento; o SUS paga 7,50 por uma consulta especializada, quando o valor
corrigido é de 21 reais; paga 5 reais por um RX cujo valor real é 27
reais. “Como enfrentar a realidade com este financiamento? Não
dá para fazer mágica”.E desabafa: “os ministros da área
econômica não liberam verbas porque não conhecem o SUS,
e porque nem eles nem suas famílias não o utilizam, aliás,
nem os servidores que criaram o SUS não o fazem”. No ano passado,o
ex-Ministro da Saúde Adib Jatene,um dos maiores cirurgiões cardíacos
do mundo,propôs a cobrança de taxa de atendimento aos pacientes
de boa condição financeira,o que não foi aceito.
O orçamento do Ministério da Saúde é de 40 bilhões
de reais, o 2 º do governo (apenas o da Previdência o supera). Municípios
e Estados dobram este valor. Ainda, 45 milhões de brasileiros pagam
planos de saúde,a maioria com dificuldades. Qual a solução
para o SUS, PSF, ABS ? Às vezes nos lembramos do enigma da Esfinge,da
Mitologia Grega,que dizia “Decifra-me ou te devoro”.
APÓS INSPEÇÃO (Tribuna de Minas – 04/10/07)
CAOS NO HPS DERRUBA SECRETÁRIO
Uma inspeção derrubou o comando da Saúde em Juiz de
Fora. Após ir ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) na noite de terça-feira
e constatar, segundo sua própria definição, uma "baderna",
o prefeito Alberto Bejani exonerou o titular da pasta, José Otávio
Ferreira Amaral, e o diretor da unidade, José Jerônimo Sarmento.
Segundo ele, foram encontradas pessoas "jogadas nos corredores",
sujeira e exame desaparecido. A mudança provocou efeito cascata, já que
Maria Aparecida (Nininha) Soares deixa a Articulação Institucional
para retornar à pasta pela terceira vez. A assistente social Simone
Mathiasi de Oliveira fica com a direção do HPS.
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