DISLIPIDEMIAS


Dislipidemia ou hiperlipidemia é o aumento de lipídeos (gorduras) no organismo, e, conseqüentemente, na corrente sanguínea. Aterosclerose é o mecanismo pelo qual estas gorduras, sobretudo o colesterol, se depositam na parede interna das artérias formando placas, que vão obstruindo o fluxo sanguíneo. Isto leva a doenças graves, como o infarto do miocárdio, AVC, insuficiência vascular periférica e outras.

O colesterol é uma substancia muito importante para o funcionamento geral do organismo, não pode é existir em excesso (assim como a glicose). Ele circula ligado a proteínas, sob três formas: LDL- low density lipoproteins-lipoproteínas de baixa densidade, HDL- high density lipoproteins-lipoproteínas de alta densidade, e VLDL- very low density lipoproteins- lipoproteínas de muito baixa densidade. Esta última é rica em outra gordura, o triglicérides, e parece causar aterosclerose como o LDL, que é conhecido como mau colesterol; o HDL, ao contrário, protege a parede do vaso, impedindo a deposição de placas (ateromas) obstrutivas. É o bom colesterol. A placa, na artéria coronária,quando se rompe, em contato com o sangue, forma um coágulo que a oclui, levando a síndromes coronarianas agudas(infarto ou angina instável). Antes pensava-se que a obstrução seguia uma seqüência lógica, lenta e progressiva, o que não explicava certos episódios de morte súbita . O paciente fazia um check-up, era considerado normal (fazia até cinecoronariografia), e morria na porta do hospital, com obstrução na cine, por ex., de apenas 30 %. É que a placa aterosclerótica era muito instável, e ao romper ocasionava uma oclusão completa da coronária.

Além do colesterol, o fumo e a hipertensão arterial são fatores de alto risco para a aterosclerose. A obesidade, hereditariedade, o sedentarismo, stress, e a diabete também contribuem para o quadro. O tratamento da dislipidemia visa a prevenção primária ( quando ainda não se teve a doença) ou secundária ( quando já houve um episódio e o risco de repetir é maior ) ; em qualquer situação, a abordagem inicial é na dieta e na redução dos fatores de risco, antes ou durante o tratamento medicamentoso.

Os valores do colesterol total são (em jejum de 12 hs.): desejável- abaixo de 200 mg/dl, limítrofe- de 200 a 239 e alto a partir de 240 mg/dl. O colesterol LDL: ótimo é abaixo de 100, sub-ótimo de 100 a 129, limítrofe, de 130 a 159, alto de 160 a 189 e muito alto acima de 190 mg/dl. O HDL tem de ser maior que 40 e o triglicérides: normal abaixo de 150, limítrofe de 150 a 199, alto de 200 a 499 e muito alto a partir de 500 mg/dl. O VLDL calcula-se dividindo o triglicérides por 5 e quando este está acima de 1000, pode levar à pancreatite. O tratamento medicamentoso da hipercolesterolemia tem nas estatinas (sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, lovastatina, etc...) seu ponto principal; também usam-se a colestiramina, o ezetimibe, os fibratos (genfibrozila, clofibrato, fenofibrato). Os fibratos são mais usados para reduzir o triglicérides. O álcool eleva tanto o colesterol quanto o triglicérides. No entanto, a partir da observação que os franceses têm índice de mortalidade por infarto muito menor que os ingleses e americanos, estudos descobriram que o vinho tinto possui substancia (resveratrol) benéfica para a circulação.

Antigamente a pessoa engordava, tornava-se hipertensa, diabética, seu colesterol se elevava, tinha um infarto ou AVC, e era tudo considerado como doenças separadas. Hoje sabemos que estas doenças coexistem mais que de forma coincidental, e ao seu conjunto denominamos SÍNDROME METABÓLICA. Segundo o prof. Alfredo Halpner, a SM existe quando o indivíduo tem circunferência abdominal superior a 80 cm em mulheres, ou superior a 94 cm em homens e mais dois dos seguintes critérios: pressão arterial superior a 130x85, glicemia de jejum superior a 100mg/dl, triglicérides superior a 150mg/dl e HDL abaixo de 50 em mulheres ou abaixo de 40mg/dl em homens. Uma pesquisa realizada em 2007 revelou que em Vitória (ES), 25,43 % da população apresenta Síndrome Metabólica. Uma pessoa com SM se não tem, tem grande chance de ter diabetes; e com ou sem diabetes, tem grande chance de ter infarto ou AVC, afirma o Prof. Halpner.

POLÊMICA

A revista VEJA nº 2048, de 20-02-08, publicou reportagem intitulada Saúde sem neurose- Abaixo a ditadura dos índices; ela publica opiniões de profissionais consagrados, e resultados de estudos em que o tratamento agressivo da diabetes e da hipercolesterolemia, cada vez mais preconizado por alguns, abaixa acentuadamente os níveis de glicose e colesterol, mas aumenta o índice de mortalidade dos pacientes. Ou seja, eles morrem do tratamento. Quanto à pressão, ocorre o mesmo: às vezes o paciente tem 130x80 ou pouco mais, passando bem sem remédios, e... Toma de medicamentos. Cada vez mais caros e com efeitos colaterais maiores. A reportagem ressalta que os tratamentos têm que ser individualizados. Quem mais lucra são os poderosos laboratórios. Muita discussão vem por aí...


 

Dr.Mauricio Valadão Reimão de Melo, médico cardiologista, do quadro efetivo do ministério da saude, ex-presidente da sociedade médica de ubá, vereador, Presidente da Câmara Municipal.