PALPITAÇÕES


Normalmente, o coração funciona num ritmo regular, contraindo para ejetar o sangue no organismo e relaxando para receber mais sangue (o que chamamos de sístole e diástole). Este ciclo de contração- relaxamento, ou sístole – diástole, ocorre de 60 a 100 por minuto e neste período ele recebe e devolve de 5 a 6 litros de sangue (praticamente todo o sangue do individuo passa pelo coração em um minuto).

Quando o coração “bate” menos de 60 vezes \ minuto, chamamos de bradicardia. Quando as batidas são mais de 100 bpm, existe a taquicardia. Todos podemos ter bradicardias ou taquicardias moderadas, sem problemas. Normalmente não sentimos o coração bater. Quando isso ocorre, dizemos que há palpitações.

O mais comum é que a palpitação seja de origem emocional. Porém, quando o ritmo do coração é alterado, por alguma arritmia, a pessoa poderá ter uma palpitação. A maioria das arritmias nestes casos não são de gravidade, às vezes nem são tratadas. A mais comum das arritmias que causa palpitação é a extrassístole ventricular; como o nome indica é uma sístole (ou “batida”) extra do coração. Existe em pessoas normais, principalmente em pessoas estressadas ou fumantes. Mas pode aparecer também em várias cardiopatias. Geralmente não são tratadas, nos não cardiopatas. Outra que já foi mais comum, mas diminuiu em função do aparecimento de novas drogas, é a TPSV (taquicardia paroxística supra ventricular). O coração atinge uma freqüência de 180 bpm, de repente, e a pessoa não se sente bem, pode ter palidez, sudorese, dor no peito, queda de PA, pode aparecer também em pessoas consideradas normais e conhecemos caso de um paciente que ao ter a crise, ia à farmácia, pedia para tomar certa injeção na veia, melhorava e voltava para o trabalho. Hoje, medica-se no hospital ou mesmo no CTI. Outra arritmia que leva a palpitações, comum em idosos, é a fibrilação atrial. Nesta, o coração bate irregularmente, de rotina, mas quando acelera , o paciente pode entrar em insuficiência cardíaca (dispnéia, tosse, etc.) e às vezes tem de ser internado.

Há casos que a pessoa acorda à noite, com palpitações, não se sentindo bem, é levada ao hospital, lá é medicada e orientada para procurar o cardiologista no dia seguinte. Quando o cardiologista atende o paciente e faz o ECG, está tudo bem. Então, aconselha-se ao paciente, sempre que for atendido com estes sintomas, pedir ao plantonista que faça o exame, nem que tenha de ser pago, porque é muito importante para diagnóstico do caso. Em certas situações existe um aparelho que se instala no paciente por 24hs, chamado Holter, que grava todas as batidas naquele dia. Já está surgindo mesmo o Holter por uma semana, para detectar arritmias mais raras.

Há arritmias mais graves, como a taquicardia ventricular, que além de palpitações, traz outros sintomas como palidez, sudorese, hipotensão, lipotímia. Ela ocorre em coronariopatas graves, e pode prenunciar uma fibrilação ventricular (que é uma parada cardíaca). Mas muitas vezes a taquicardia ventricular é muito rápida (diz-se que é “não sustentada”) e termina instantaneamente.

Portanto, sobre palpitações, a maior característica é de se apresentar em pessoas normais, mesmo em jovens, influenciadas principalmente pelo stress. Em segundo lugar, podem ser causadas por arritmias cardíacas, a principal delas sendo a extrassístole ventricular. Em poucos casos, em doentes cardíacos, podem ser causadas pela taquicardia ventricular. O advento do Holter de 24h foi muito importante para o estudo das arritmias e palpitações. Às vezes a pessoa chegava ao médico e dizia: ontem à noite, saindo de casa, tive algumas palpitações, a visão escureceu, quase caí, foi muito rápido. Com a pessoa usando o Holter (evidentemente já tendo queixas anteriores), pode se detectar uma arritmia grave ou mesmo uma fibrilação ventricular fugaz naquele momento, em situações pouco valorizadas antes.

 

Dr.Mauricio Valadão Reimão de Melo, médico cardiologista, do quadro efetivo do ministério da saude, ex-presidente da sociedade médica de ubá, vereador, Presidente da Câmara Municipal.