| TIREÓIDE
/ PÂNCREAS
Em
décadas passadas, era comum pessoas
apresentarem tumoração na base
do pescoço, semelhante a um papo. Ocorriam
principalmente no interior de Minas e Goiás,
regiões distantes das áreas litorâneas.
Devia-se a um crescimento exagerado da glândula
tireóide, pela falta do elemento iodo.
Este faz parte do hormônio tireoideano,
e sua ausência impossibilitava a produção
hormonal. A glândula, tentando compensar,
aumentava de volume, criando o papo, conhecido
cientìficamente por bócio. Quando
o governo obrigou a adição de
iodo ao sal de cozinha comercial (em 1956),
pràticamente
o problema acabou. Ainda há outras causas
para bócio, como tumores malignos ou
benignos, hipo ou hipertiroidismo, mas com
o avanço
da ciência, são detectados e tratados
precocemente.
A tireóide é uma das glândulas do organismo destinadas
a produzir hormônios.
Hormônios são substâncias químicas que agem a distância,
levando informações e orientações às células.
Outras glândulas são a hipófise, localizada no cérebro,
o pâncreas, no abdome, as supra-renais na região renal. São
chamadas glândulas endócrinas ou de secreção interna,
diferentes de outras, que têm secreção externa, como as
glândulas sudoríparas, do suor, as salivares, da saliva, etc.
Os hormônios da tiróide são conhecidos como T3 e T4. Funcionam
no metabolismo geral e na maturação do Sistema Nervoso Central
na infância, onde sua falta ocasiona doença conhecida como cretinismo.
A tireóide tem duas disfunções: se trabalha pouco, o hipotiroidismo,
quando produz menos hormônios, e a pessoa fica lenta, bradicárdica,
obesa, deprimida. Se trabalhar muito, o hipertiroidismo, quando há mais
hormônios, a pessoa fica agitada, inquieta, emagrece, tem taquicardia
e diarréia; pode ter exoftalmia, ou seja, o olho fica arregalado, saliente.
Há casos de arritmia cardíaca que após muitos estudos,
descobre-se o hipertiroidismo como causa. No primeiro caso, dá-se hormônio
para o paciente (Puran T4 – Synthroid, etc.); no segundo caso, tenta-se
inibir o trabalho da glândula (com Propiltiouracil, Tapazol, etc.).
Os exames mais comuns para se detectarem as disfunções da tiróide
são as dosagens dos hormônios T3, T4 e TSH (hormônio estimulante
da tireóide). Este último é produzido pela glândula
hipófise, e aumenta no sangue quando a tireóide passa a trabalhar
pouco (hipotireoidismo). Se a tireóide volta ao normal, o TSH diminui;
este mecanismo é conhecido como “feedback”. A dosagem destes
hormônios está se tornando rotineira na clínica diária.
Há casos que a tireóide tem de ser extirpada cirùrgicamente,
e a pessoa tem de usar hormônio para sempre. Às vezes é difícil
o acerto da dosagem. Conhecemos uma paciente, operada há seis meses,
que tem o TSH de 210 mg (normal: 0,35 a 5,5mg), já usando hormônio
(Puran T4) em dose elevada (250mg/dia).
As doenças da tireóide aparecem nas mulheres de cinco a sete
vezes mais.
A tireóide pode apresentar nódulos, e apenas 1 em 20 é maligno;
neste diagnóstico usa-se o ultra-som, a cintilo grafia e a punção
com agulha fina, para fazer biópsia.
PÂNCREAS
É uma glândula localizada na parte superior do abdome, atrás
do estômago, que produz enzimas digestivas e o hormônio insulina,
responsável pela entrada da glicose nas células. Se as células
pancreáticas que produzem este hormônio forem afetadas, o paciente
passa a ter diabetes.
Duas outras doenças graves do pâncreas são o tumor de cabeça
do pâncreas, neoplasia agressiva, que ocorre principalmente em fumantes,
após os 50 anos de idade, geralmente só diagnosticado em estado
mais avançado, comprimindo as vias biliares e ocasionando icterícia
no paciente.
Outro quadro grave é a pancreatite aguda, ocasionada por cálculos
biliares ou alcoolismo, com dor intensa (chamada “dor em barra”)
no epigástrio e podendo levar ao estado de choque, devendo ser tratada
em CTI.
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