TUBERCULOSE PULMONAR (TP)
Quando
o paciente entra no consultório,
o médico já vê que seu estado
não é bom. Tosse, febre não
muito alta e vespertina, sudorese noturna, fraqueza,
emagrecimento. Se há escarro, pode estar
sanguinolento (hemoptóicos); ou, mais
além, o paciente pode “vomitar” sangue
vermelho-vivo (hemoptise). O poeta Manoel Bandeira,
em seu conhecido poema Pneumotórax, relata: “Febre,
hemoptise, dispnéia, e suores noturnos;
a vida inteira que podia ter sido e que não
foi; tosse, tosse, tosse”... – “Então
doutor, não é possível tentar
o pneumotórax? – Não, a única
coisa a fazer é tocar um tango argentino”.
A tuberculose pulmonar é causada por uma
bactéria, o Bacilo de Koch, descoberto
pelo famoso cientista inglês Robert Koch,
em 1882. A invenção do RX, ainda
no século 19, possibilitou uma melhor
compreensão da TP. Mas até a descoberta
do antibiótico Estreptomicina, em 1944,
não havia medicamento para a doença.
Recomendava-se a procura de locais montanhosos,
onde se construíam “pousadas” para
os pacientes mais abastados e mais tarde foram
construídos os sanatórios, para
todos. O compositor Noel Rosa, que morreu com
27 anos incompletos (em 1937), e deixou 400 obras
musicais, foi para Friburgo e Belo Horizonte.
Manoel Bandeira, para Petrópolis, e o
escritor Nelson Rodrigues esteve duas vezes em
Campos do Jordão. Em Juiz de Fora, havia
dois sanatórios na Grama, para centenas
de doentes. Um deles hoje é o Hospital
João Penido, às margens da rodovia
para Ubá. E métodos desesperados
de cura eram usados, como o pneumotórax,
que é uma doença que ninguém
quer ter (quando entra ar na cavidade pleural,
principalmente em acidentes), era provocado para
tentar curar o paciente. A TP foi a maior causa
de morte no Ocidente nos dois séculos
antes de se descobrir a Estreptomicina (mas que
também não curava todos). Em 1974
foi estabelecido o uso de três medicamentos
diários, por via oral, por seis meses,
que curavam quase 100% dos casos. A Rifampicina,
a Isoniazida e a Piracetamida. Quando o doente,
por intolerância aos remédios, ou
falta de disciplina, pára o tratamento,
dá oportunidade ao aparecimento de bactérias
resistentes, para as quais foram descobertos
novos esquemas terapêuticos.A medicação é gratuita.
Normalmente não se precisa internar os
pacientes, a não ser em casos especiais.
Com poucos dias de tratamento já não
há transmissão do bacilo. A doença
propaga-se pela inalação das bactérias
por pessoas sadias, que são eliminadas
em gotículas pelas vias aéreas,
quando o doente conversa, tosse, espirra. Estas
gotículas permanecem no ar por horas,
principalmente em lugares pouco iluminados e
pouco ventilados.Uma preocupação
comum,de “ter de separar pratos, talheres,
etc.” não procede. A TP é relacionada
com a pobreza, promiscuidade, desnutrição,
condições sanitárias precárias.
Existe muito na Índia, China, Filipinas,
Bangladesh, Congo, Rússia e Brasil.
Cerca de cinqüenta milhões de brasileiros
estão infectados. De 5 a 10% contraem
a doença. O organismo reage e expulsa
o bacilo ou ele permanece latente no pulmão,
podendo reaparecer anos mais tarde. Nos casos
em que o indivíduo adquire a doença
já no primeiro contágio, ela é de
aparecimento lento. Quando o paciente vai ao
médico, ele pode ter infectado em média
dez pessoas, e ter lesões pulmonares avançadas. É raro,
mas a Tuberculose infecta outros órgãos,
como ossos, rins, meninges, sem afetar os pulmões.
Os recém-nascidos são vacinados
com a vacina BCG, porque não têm
imunidade contra a doença.
O RX de tórax e o exame do escarro, feito
durante três dias consecutivos, são
os principais exames para se diagnosticar a TP.
Vimos recentemente um filme do Ministério
da Saúde incentivando a busca ativa aos
doentes e a seus contatos. Existem algumas imagens
radiológicas que podem ser confundidas
com câncer, blasto micose ou sarcoidose.
Há casos de febre de origem indeterminada,
quando o paciente é internado e pesquisado
por várias semanas, que geralmente se
conclui pela presença de Tuberculose em
outros orgãos.
No
início dos anos 80,quando se pensava
que a TP caminhava para a extinção,o
número de doentes aumentou significativamente
em todo o mundo: era o início da AIDS,
que por reduzir as defesas do organismo,propiciava
o surgimento de outras doenças oportunísticas.
Atualmente, morrem cerca de 2,9 milhões
de pessoas por tuberculose em todo o mundo a
cada ano.
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