Terapia sexual ainda tem sete cabeças?



Celso Marzano

Falta de desejo sexual, disfunções eréteis, traumas e bloqueios, todo mundo que tem algum probleminha naquela hora ao pensar numa terapia sexual alimenta sérias dúvidas na hora de procurar auxílio.

O primeiro pensamento já mexe profundamente na auto-estima: procurando uma terapia sexual assumirei que o que eu tenho é uma doença?

Para o terapeuta sexual e também urologista Dr. Celso Marzano, o dia a dia conspira contra o sexo. "È muito difícil conciliar família, amigos, trabalho e interesses pessoais. Adiciona-se a isso a situação financeira, problemas que afetam o controle emocional, estresse contínuo, a ansiedade crescente e principalmente o envelhecimento inevitável do corpo. Nos de 24 anos de profissão, cheguei à conclusão que as doenças sexuais propriamente ditas são poucas e que muitos sintomas e sinais de problemas sexuais são decorrentes da falta de conhecimento do próprio corpo e como ele funciona na esfera das respostas sexuais", declara.

Utilizando basicamente exercícios sexuais de comunicação como parte essencial do tratamento, a Terapia Sexual não ensina o ato sexual, mas sim como lidar com todas as variações de expressão, pensamentos, mitos e disfunções da nossa sexualidade - corpo e alma.

"Evitamos o papel tradicional do médico de assumir a postura de autoritarismo e paternalismo. O Terapeuta Sexual é um profissional com treinamento específico para a orientação em relação aos problemas emocionais que com freqüência estão ligados às disfunções sexuais. È ele também quem identifica as causas orgânicas e as doenças que alteram a nossa resposta sexual", informa o Dr. Celso.

Em resumo, o tratamento inicia-se com uma consulta individual e após com o casal, quando se explicam os processos e os objetivos do tratamento. Se o casal concordar, iniciam-se sessões de terapia quando se recomenda a troca de carícias íntimas suaves e afetuosas para que os parceiros descubram naturalmente os chamados focos sensoriais um do outro (as regiões que mais se sente prazer). A linguagem do tato é reforçada por estímulos olfativos e visuais. "O importante é o casal descobrir que a função sexual não é apenas expressão física. O tratamento evolui com exercícios e orientações sexuais que o casal realiza em casa. Ocorre uma aproximação intensa e cada um dos parceiros pode descobrir novas respostas sexuais próprias ou do outro, nunca antes percebidas. Como a comunicação dos parceiros em nível corporal melhora sensivelmente, o relacionamento torna-se mais espontâneo e a solução da disfunção sexual começa a aparecer". E o Dr. Celso complementa: "A orientação sexual dá o que falta aos casais: oportunidade de aprender sobre si mesmos, estudar as suas respostas sexuais, como elas aparecem e porque às vezes não funcionam do jeito esperado".

O valor e o sucesso da terapia sexual hoje para disfunções sexuais é indiscutível e comprovado. Muitos pacientes respondem rápida e favoravelmente aos métodos de tratamento planejados, eliminando os obstáculos ao funcionamento sexual normal e prazeroso.


*Celso Marzano é médico urologista e terapeuta sexual há 24 anos, pós-graduado em Terapia Sexual e Educação Sexual. Docente dos Cursos de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH) e Delegado Regional no ABC Paulista da mesma entidade. É coordenador do Ambulatório de Urologia da SBRASH, editor da Revista Index e membro da Comissão Científica e de Ética da mesma entidade. Atua como chefe do Serviço de Urologia do Hospital Heliópolis, em São Paulo. Leciona no Departamento de Psicanálise da Cadeira de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, em Santo André (SP) e é responsável pelo Ambulatório de Sexualidade da mesma entidade. Como terapeuta sexual, atende em consultório e ministra cursos e palestras sobre comportamento sexual em todo o Brasil. Consultor de revistas, jornais, rádio e TV, com participação permanente no Canal 45, da região do ABC Paulista. Dirige ainda o ISEXP - Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática.

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