SEXO
Ubaenses
tratam sexo como tabu
Sêmia
Mauad
A repórter Sêmia
Mauad conversou com o psicólogo e sexólogo,
Geraldo Reis Sá, especialista em Educação
Sexual nas Escolas, Sexologia e Terapia Sexual
pela Universidade de Ensino de Brasília
e em Comportamento Humano pela Universidade de
Cuiabá. Ele falou a respeito dos tabus das
pessoas em relação a atividade sexual,
da banalização do sexo pela mídia
e dos principais problemas que os ubaenses enfrentam
na cama.
Sêmia Mauad: Muitas pessoas
chegam até você e já vem com
um diagnóstico dado por um outro profissional
e geralmente provam que suas dificuldades não
são causadas por questões fisiológicas,
mas sim emocionais. Quais tipos de circunstâncias
podem desencadear essas dificuldades sexuais. Existe
um modo de se prevenir de tudo isso?
Geraldo Reis: A melhor forma de
prevenir esses males causados pelos transtornos
sexuais é trabalhar a educação
sexual nas escolas. Porque a criança e o
adolescente já vão crescendo sem
muitos mitos e preconceitos que vão gerando
esses males nas pessoas. Essas causas não
são biológicas e sim psicológicas.
São causadas pelo ambiente social, familiar
ou um culto religioso. A pessoa carrega um trauma,
um conceito errôneo sobre a sexualidade e
na hora do desempenho sexual ele se sente comprometido.
Sêmia Mauad: Apesar de todo
tabu que ainda existe em torno do sexo, a busca
pelo prazer tem mexido muito com a cabeça
das pessoas. São dicas e receitas afrodisíacas,
objetos eróticos, enfim, tudo vale a pena
para se chegar a um orgasmo. Essa busca tem alguma
conseqüência para o ser humano?
Geraldo Reis: A dinâmica
dessa exposição sobre as questões
sexuais, às vezes, torna o sexo mercadológico.
A gente vê que a questão não é por
aí. A pessoa que já tem uma relação
sexual já sabe que o sexo está voltado
ao aspecto emocional e não pelo aspecto
totalmente visual. Obviamente existem as questões
do fetiche, mas a característica principal
para um bom desempenho sexual é estar bem
emocionalmente.
Sêmia Mauad: A banalização
do sexo nos meios de comunicação
interferem na vida das pessoas?
Geraldo Reis: Creio que sim, porque
essa exposição direta das mensagens
sexuais vão tornando o sexo banalizado,
conduzindo para o caminho de mercado, tirando as
pessoas do centro do que é a realidade.
Fantasiar é bom para todo mundo, mas tem
pessoas que passam a viver muito mais a fantasia
do que a realidade. A Internet, o jornal, a revista,
a TV, essa massificação da informação,
deixa a pessoa preocupada em fazer o que está sendo
feito pelos personagens dessas mídias.
Sêmia Mauad: Quais as vantagens que uma vida sexual ativa e
de qualidade pode trazer a uma pessoa?
Geraldo Reis: Interfere diretamente
no humor. Interferindo no humor, você muda
as relações pessoais e profissionais
do indivíduo. O sexo é uma energia
vital. Além do bem-estar social traz o sentimento
de amar e ser amado, o que é muito importante
na vida da pessoa.
Sêmia Mauad: Qual a maior
queixa dos ubaenses em relação a
sua vida sexual?
Geraldo Reis: As queixas são
bem diversificadas. Mas na maioria das vezes elas
acabam se tornando as questões dos temores
e da ansiedade. Falando do lado masculino é o
temor da impotência sexual, da ejaculação
precoce. Para o lado feminino é o temor
da falta de orgasmo. Mas na maioria das situações
você percebe que o problema é situacional
com o parceiro ou com a parceira. É um problema
da relação e não da pessoa.
Sêmia Mauad: Como as pessoas podem tratar a ejaculação
precoce, a impotência sexual e a anorgasmia (falta de orgasmo)?
Geraldo Reis: O primeiro ponto é controlar a ansiedade. O segundo
aspecto é a pessoa entender que ela tem que conhecer um pouco mais o
que é o parceiro ou a parceira, porque aí vários tabus
vão ser quebrados.
Sêmia Mauad: Qual o tempo de duração de um tratamento?
Ele varia de uma pessoa para outra?
Geraldo Reis: Depende muito de
quanto à pessoa vai controlar essa ansiedade
e de como ele vai ter a liberdade de quebrar esses
tabus existentes que podem vir desde a infância
ou adolescência e também na fase adulta.
Em torno de quatro meses, no máximo.
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